É sempre uma grande surpresa quando damos a notícia para os pais de que será necessário fazer um canal no dente de leite do filho. Eles nos olham atônitos, incrédulos, sem realmente entender como é possível, dentro daquele minúsculo dentinho, existir um canal igual ao de um dente permanente. Muitas vezes, dois, três canais, dependendo do dente. Como?

Alguns pais acabam não se preocupando muito com os dentes de leite por acreditarem que dentro dele não existe absolutamente nada, ficam ali grudados na gengiva e um belo dia caem, simples assim!

Esse pensamento é comum porque, quando o dente amolece e cai, vemos apenas a coroa dele e nada mais. É que a raiz que mantinha o dente preso ao osso sofreu um processo chamado “rizólise”. Isto é, foi lentamente reabsorvida para dar espaço ao dente permanente, que aos poucos veio tomando o lugar do decíduo.

Existem dois casos em que é possível realizar um tratamento de canal em dentes de leite: quando a cárie se tornou muito extensa ou profunda a ponto de atingir o nervo (polpa) ou nos traumatismos dentários. “Em ambos os casos, ocorre uma degeneração da polpa e proliferação de tecido necrótico (pus) que pode prejudicar muito os dentes permanentes em desenvolvimento”.

Muitos pais tem a seguinte dúvida, por que não extrair (arrancar) o dente?

Este é um outro ponto muito importante. Se você não tratar o canal e optar pela remoção do dente, deve-se ter em mente que os outros dentes que estão do lado acabam se movendo e fechando o espaço que o permanente teria para poder nascer. Então quando estiver no momento do permanente nascer ele não terá espaço suficiente para nascer. A extração até pode ser uma possibilidade, entretanto, depende da idade da criança e de quanto a raiz do dente de leite já sofreu a reabsorção. Por isso, uma radiografia sempre é indicada antes de iniciar qualquer procedimento. “O canal só será realizado, se após o tratamento, o dente puder se manter em função”.

O tratamento endodôntico nada mais é do que a retirada ou esvaziamento da parte viva do dente e sua obturação. Depois que o canal é esvaziado, devidamente limpo e seco, será preenchido por um material restaurador especial que manterá o espaço interno asséptico (sem bactérias) e será reabsorvido de maneira natural, junto com a raiz no tempo certo.

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